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Interpol classifica golpes de criptomoedas como ameaça global

A Interpol fez um alerta importante: as fraudes ligadas a criptomoedas estão se tornando uma preocupação global, com essas atividades criminosas se espalhando por complexos residenciais. Desde sua última assembleia geral em Marrakech, a organização classificou essas redes como uma ameaça transnacional, intensificando a coordenação entre agências de todo o mundo para enfrentar esse problema.

Os países que fazem parte da Interpol aprovaram uma resolução que expõe como esses grupos opera. Eles costumam utilizar táticas de trafico de pessoas, fraudes online e até trabalho forçado. O problema se estende a mais de sessenta países, com vítimas sendo atraídas por promessas de empregos lucrativos no exterior. Na verdade, muitos acabam sendo forçados a participarem de esquemas ilegais, como golpes românticos ou fraudes de investimento, que têm como alvo pessoas ao redor do globo.

Esses recrutadores operam especialmente em complexos residenciais, onde as vítimas são coagidas a engajar em atividades criminosas, todas sob a fachada de propostas atraentes de trabalho. A Interpol ressaltou que essas redes utilizam tecnologias avançadas para enganar suas vítimas e esconder suas operações, fazendo com que sejam altamente adaptáveis a qualquer tipo de intervenção.

O foco inicial desse modelo de golpe surgiu no Sudeste Asiático, em países como Mianmar, Camboja e Laos. Esses locais foram reconhecidos como focos de tráfico humano e fraudes online. Além disso, as vítimas vêm de diversas partes, incluindo a própria região, China e Índia, desde o início de 2023. Com o tempo, o problema se espalhou para áreas da Rússia, Colômbia, países costeiros da África Oriental e até partes do Reino Unido.

Operações de abate de porcos

A conexão entre essas redes criminosas e as criptomoedas foi identificada pela primeira vez em julho do ano passado. Um mercado online chamado Grupo Huione, baseado no Camboja, foi descoberto como responsável por transações de mais de 11 bilhões de dólares provenientes de atividades fraudulentas. A situação se agravou, e em maio deste ano, o Departamento do Tesouro dos EUA começou a tomar medidas para cortar o grupo do seu sistema financeiro, após identificar que algo próximo de 4 bilhões de dólares estava sendo usado em lavagem de dinheiro.

Antigamente, as movimentações financeiras relacionadas a esses golpes seguiam rotas mais previsíveis através de corretoras. Mas agora, essas transações estão muito mais diversificadas, usando stablecoins e trocas rápidas entre blockchains, dificultando a identificação dessas ações. Especialistas, como Ari Redbord, que já trabalhou no Departamento do Tesouro e agora está em uma empresa de inteligência blockchain chamada TRM Labs, reforçam que essa mudança torna o rastreamento mais desafiador.

O apoio da Interpol e a criação de uma força-tarefa pelos EUA demonstram que o combate a essas fraudes está se tornando uma preocupação compartilhada por vários países. A colaboração internacional está cada vez mais alinhada para lidar com esses problemas relacionados ao tráfico de pessoas e fraudes financeiras.

Embora essas redes tenham prosperado em regiões com brechas transfronteiriças, essas lacunas estão começando a se fechar. Agora é possível identificar janelas de ação que antes não existiam. Rastrear ativos para localizar fundos perdidos não só é viável, mas também se torna mais eficaz quando os países trabalham em conjunto. Em resumo, quando há uma boa coordenação, é possível cortar as vias de fuga que essas redes criminosas utilizam.

Rafael Cockell

Administrador, com pós-graduação em Marketing Digital. Cerca de 4 anos de experiência com redação de conteúdos para web.

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